domingo, 16 de fevereiro de 2020

Resgate


“... Hum... Baaaáh! É brabo tchê! Éééééh. Porra! Negão de camisa vermelha no meio da Torcida do Brasil foi ele. Poh! Não vai achar nunca. Hoje já tá mais difícil hém cara. Desculpa, não é, não é menos prezar os negros não, de forma alguma cara, mas hoje a Torcida do Brasil tá muito elitizada cara. Tchê! A gente não vê mais aquele negro; o negro raiz; aquele negro da vila. Não se vê mais cara. Vou te dar um exemplo. Ooh Schuank mesmo aqui ooh Luciano e Fontoura e o Ademar que tá aí, nos escutando. Oooh Schuank uma vez nos levou... Em Caxias oooh Fontoura, tinha um negrão que trabalhava aqui na estiva aqui no porto e ele ia assim óh, ia a ferro. Sem dinheiro, sem nada, mas tomava um baita dum trago. Aí nós viemos... e agora Schuank? Como é que vamos fazer com esse homem? Eu eu eu tenho, eu consigo o dinheiro para a entrada e o Schuank, não eu pago o almoço. Aí nos fomos, cara. Nós fomos ao restaurante e botamos ele na cabeceira. Ele tinha tomado tanta cerveja com nós, bebida, cachaça. Cara, e aí o Schuank serviu uma sopa de capelete pro cara, tchê. Quando eu vejo, poh, são as coisas que digo: tum! E vejo aquilo líquido saltar. Eu olho poh o negãozinho me deu com o rosto dentro do prato da cumbuca de sopa lá e não conseguia se levantar. Ia se afogar na sopa. Tchê! Esses caras aí óh; esses caras sumiram. Sumiram. Sumiram no mercado. Sumiram da Torcida do Brasil, cara. Infelizmente. É esse Torcedor, é esse tipo de Torcedor, aquele. O mais humilde, o mais pobre, o mais necessitado. Aquele Torcedor laaaaá do meio da vila. É esse aí que nós temos que resgatar. E eu não me importo cara, de pagar a minha mensalidade. Pagar setenta pila que seja, ou cem pila que se pague e que eles paguem dez pilas por jogo. Eu não me importo cara. Eu quero ver eles de volta ao Estádio. E não quero que eles fiquem desprivilegiados lá prá trás da goleira. Eu quero que eles tenham acesso ao Estádio. Porque foram ELES que fizeram o Brasil ser o Brasil que é hoje.”

Isto é parte de uma roda de conversa on-line onde João Damasceno nos dá esta demonstração de amor à Torcida Xavante. Aquela, pé no chão, troco suado, mas de amor incondicional ao G. E. Brasil. Gente que muitas vezes deixa de comer só para estar presente nas Arquibancadas do Bento Freitas.

Resolvi transcrever esta manifestação com a intenção de tocar alguns corações que não enxergam a aflição daqueles que foram alijados dos campos de futebol e em especial do Caldeirão Xavante.

Ah! E não me venham com argumentações do tipo o "futebol está caro" porque é público e notório que as rendas de Bilheteria vêm gradativamente sendo substituídas por patrocínios, verbas de federações, da CBF e de TVs.

O dinheiro pode muito bem ser compensado por ações de marketing e boa gestão, mas o calor, a vibração e a raça de uma Torcida não.

Pensem nisto e passem a clamar por ações que tragam de volta ao nosso Bento Freitas aqueles que, tijolo a tijolo, grito a grito, construíram “A Maior e Mais Fiel Torcida do Interior”.


foto: Vitor Hugo Lautenschlager

João Damasceno
foto: Xavante Munhoso

foto: Xavante Munhoso

foto: Dalnei Oliveira - Diário Popular


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Marcola resiste

Tchê!

E não é que é verdade?!?!?!

Uma porrada de sol, Time prá lá de ruim, Presidente desacreditado e até o Conselho Deliberativo sendo cobrado uma barbaridade.

Mas a Torcida estava lá. Torrando sob aquele sol escaldante.

Do jogo, nada a falar. Mas o resultado, quanta diferença.

Vitória na raça como tantas outras.

Final de turno saindo da degola no último round.

Agora é enfrentar o Gama pela Copa do Brasil.

Êta Xavante!

Este não me dá sossego.

Se ganha, eu vibro.

Se perde, eu berro.

Dá-lhe Brasil!







domingo, 9 de fevereiro de 2020

Expiação

Tchê! Não tem como eu deixar de falar do Torcedor hoje. Na situação em que o Brasil está ir ao Bento Freitas com três ou quatro Sol nas costas não é para qualquer um. Por diversas vezes me vi emocionado e pensando naquele Povo ardendo e sofrendo, mas sempre junto e torcendo apesar das dificuldades do Time. Vez por outra caia a ficha e eu me dava conta que eu também estava naquele delicioso Inferno. Dá-lhe Brasil!












quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Lamentos de uma paixão

A lua de mel time e torcida já estava desgastada! Mas agora chegou ao fim! A mesma diretoria que nos encheu o peito de orgulho, que nos levou as ruas para receber nossos guerreiros xavantes, em voltas de jornada memoráveis e feitos inacreditáveis... Em algum momento se perdeu... afundou o clube em dívidas, deixou de pagar seus jogadores, e começou a apiquenar o clube! 2020 é assustador! Vemos um time apático, sem força de reação... e uma diretoria omissa, que se esconde na hora difícil! Mas como chegamos a esse ponto?! Somos o time que mais arrecada no interior, cotas de TV, sócios, patrocínios... os problemas e os gastos são inúmeros e conhecidos! Mas a administração deixa muito a desejar! Não há transparência, não há diálogo com a torcida! Jogos treinos com portões fechados... e o sócio se tornou apenas um financiador e não parte do clube! A diretora foi diminuindo ... RZ, Montaneli, Armando, Ricardinho, Cláudio Andréa, Perceu e outros... hoje se resume em Ricardinho e Edu Pesce! Nosso clube está na mão de apenas duas pessoas! As decisões são tomadas por dois cidadãos de bem eu creio! Mas que não conhecem bastidor de futebol! Quem contrata? Quem garimpa jogador? Qual a metodologia? Torço sempre por um xavante forte, agradeço a tudo que foi feito! Mas tá na hora do Conselho eleito ano passado agir! Antes que seja tarde. A cobrança de hoje, o protesto junto ao ônibus foi a gota d'água! O Brasil tem que mudar! E por favor não culpem a torcida e sim tragam ela de volta ao estádio! Nos devolvam o nosso orgulho de ser xavante. - Emerson Novelini torcedor xavante.



quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Visão


Hoje quando eu entro no Bento Freitas o que vejo? Jovens torcedores, obras, competições, eleições. É o futuro se desenhando quieto, mas sagaz. Uma ânsia matreira que cobra cada vez mais um passo forte e decisivo rumo ao encontro dos grandes do futebol brasileiro.

Vez por outra um sonho maluco de reeditar oitenta e cinco quando Silva, Lívio e Andrezinho davam aula de futebol para o País inteiro. Num flash também Claudio Milar chega para bater aqueles escanteios inconfundíveis para desespero dos goleiros adversários.

A Torcida, ah! Esta una e absoluta cantando “Vai dar trabalho! Vai dar trabalho! O Rubro Negro joga bola...” Até a Brigada está ali, atenta, alinhada; um cordão humano cumprindo o seu papel.

Às vezes, caio na real e sinto as mudanças que o tempo impôs. As regras mudaram. Minha garganta já não tem a mesma força e o grito agora é manifestado através de pensamentos registrados em blogs e páginas da internet.

A cobrança é maior e a responsabilidade de passar aos que agora chegam toma ares de conflitos. “Ele tem seu passado de glória” e não podemos deixar as conquistas de outrora cair no esquecimento.

Daí, meus olhos repetem o mantra que me mantém vivo: jovens torcedores, obras, competições, eleições. E minha alma se acalma na certeza de um futuro promissor.

Mas já já tem jogo; depois outro; e outro. Os adversários, cada vez mais fortes e é preciso achar forças para continuar a magnífica História que Breno Corrêa da Silva e Salustiano Brito iniciaram lá em sete de setembro de mil novecentos e onze.